Por: Edson Gonçalves Martins | Engenheiro de Produção e especialista em IA, produtividade e inovação aplicada à engenharia
Uma das perguntas mais frequentes quando se fala em Inteligência Artificial aplicada à engenharia é: por onde começar?
Muitos profissionais ainda associam IA à programação avançada, algoritmos complexos ou grandes projetos de automação. No entanto, a aplicação mais imediata da Inteligência Artificial na engenharia está na identificação e redução de desperdícios operacionais relacionados ao tempo, à informação e à tomada de decisão.
O primeiro projeto de IA de um engenheiro não precisa começar em uma linha de produção automatizada ou em um modelo preditivo sofisticado. Ele pode começar pela análise das tarefas que mais consomem tempo na rotina profissional: elaboração de relatórios, atas de reunião, leitura de documentos técnicos, pesquisa de normas, organização de requisitos, planejamento de atividades e consolidação de informações.
Na prática, ferramentas de IA podem apoiar a estruturação de relatórios técnicos, a síntese de reuniões, a comparação de documentos, a organização de dados não estruturados e a criação de checklists de validação. O ponto central, porém, não é delegar a responsabilidade técnica à máquina, mas utilizar a tecnologia como apoio para acelerar etapas repetitivas e ampliar a capacidade analítica do profissional.
Um exercício simples pode gerar resultados imediatos. Durante cinco dias, o engenheiro deve registrar todas as atividades que consomem mais de 30 minutos da sua rotina. Ao final desse período, deve classificar essas tarefas em três grupos: atividades que exigem julgamento técnico, atividades repetitivas e atividades de organização de informação.
É justamente no segundo e no terceiro grupo que a Inteligência Artificial tende a gerar ganhos mais rápidos. A revisão final, a responsabilidade profissional e a decisão técnica continuam sendo humanas. A IA atua como uma camada de produtividade, reduzindo retrabalho e liberando tempo para análise, estratégia e resolução de problemas complexos.
A verdadeira transformação da IA na engenharia não começa pela adoção de ferramentas, mas pela mudança na forma de enxergar o trabalho. Antes de perguntar qual tecnologia utilizar, o profissional precisa identificar onde existe desperdício de tempo, informação mal organizada e decisões tomadas sem apoio adequado de dados.
Engenheiros sempre foram treinados para melhorar processos. A Inteligência Artificial apenas amplia essa capacidade. O primeiro passo não é substituir o engenheiro, mas permitir que ele trabalhe com mais velocidade, precisão e inteligência.
Sobre o autor
Engenheiro Edson Gonçalves Martins é Engenheiro de Produção, especialista em Inteligência Artificial, produtividade e inovação aplicada à engenharia. É fundador do EP Hub, centro de inovação e produtividade para engenheiros, líderes e gestores do futuro, além de apresentador do Engenharia Podcast, palestrante e professor, atuando na capacitação de profissionais e empresas para o uso prático da IA na transformação dos processos e da tomada de decisão.
