Objetivo foi evitar o desequilíbrio no sistema durante o feriado de Corpus Christi

No último domingo, dia 07 de junho, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que finalizou o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes na rede de distribuição. Por conta da ação, os 12 distribuidores passaram a gerenciar 1.000 Megawatts (MW) entre 10h e 14h de domingo. Esse grupo foi priorizado por concentrar cerca de 80% de toda a potência instalada das usinas pequenas, inseridas o plano.

As distribuidoras tiveram que cortar cerca de 23,5% da geração de usinas de pequeno porte, conectadas à rede de distribuição e que não são controladas pelo ONS. Foram afetadas as chamadas unidades geradoras centralizadas, como usinas solares e eólicas de menor porte, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa, que vendem a energia gerada.

Em nota, o ONS, informou que o objetivo foi equilibrar a alta geração de micro e minigeração distribuída, combinada a uma carga menor por conta do final de semana prolongado em função do feriado de Corpus Christi.

Segundo a entidade, os distribuidores foram avisados sobre a operação no sábado (6) e realizaram manobras para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O comunicado informa ainda que, adicionalmente, o ONS implementou medidas operativas complementares para redução da geração no Sistema Interligado Nacional (SIN). Em tempo real, manteve os agentes atualizados e coordenou as ações, gerenciando os recursos disponíveis de acordo com a demanda, sempre em comunicação direta com os agentes do setor.

A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) informou que as distribuidoras executaram os cortes nas usinas conectadas às redes de distribuição, chamadas de “Tipo III”, seguindo os montantes estabelecidos pelo ONS. A entidade fará uma avaliação técnica sobre a execução do plano e informará os principais impactos e resultados.

A associação destacou ainda que segue à disposição para atuar conforme as necessidades do ONS, mas ressaltou a necessidade de adoção de políticas públicas para reorganizar o sistema elétrico do país.

Essa demanda mais baixa coincide com uma grande quantidade de geração que o sistema não consegue controlar (como a energia de fonte renovável) e com baixa capacidade de inércia, de controle de frequência e de controle de tensão — que são fundamentais para manter a segurança do sistema, evitando, por exemplo, apagões.

A medida não atingiu microgeradores que usam a própria energia gerada, como os consumidores residenciais e de pequenos empreendimentos comerciais que instalam placas solares nos telhados, as chamadas unidades descentralizadas. É um contingente crescente que o ONS não tem como interferir.